O governo da Venezuela apresentou cartas que seriam assinadas pela rainha Elizabeth II para endossar o pedido de mais de US$ 1 bilhão em ouro guardado no Banco da Inglaterra. Segundo reportagem da Bloomberg, os documentos são utilizados como evidência de que o Reino Unido reconhece Nicolás Maduro como presidente legítimo.

O chefe do banco central da Venezuela, Calixto Ortega, disse que essas cartas rebatem uma decisão de um juiz de Londres que, no mês passado, negou o resgate do ouro pelo governo venezuelano. Ele também cita a emissão de visto do Reino Unido para autoridades de Maduro como evidência.

“Três cartas assinadas pela rainha constituem uma posição oficial”, disse Ortega em Paris, na França, ao retornar de Londres a Caracas, onde discutiu o assunto com seus advogados.

Representante da oposição a Maduro, Juan Guaidó também tenta reivindicar o ouro. Ele foi reconhecido pelo Reino Unido como presidente da Venezuela em 2019.

De acordo com a Bloomberg, o ouro representa cerca de um quinto dos US$ 5,2 bilhões em reservas internacionais da Venezuela, excluindo direitos de saque especiais com o FMI (Fundo Monetário Internacional), que o país não pode acessar atualmente.

As cartas apresentadas por Calixto Ortega à agência de notícias teriam sido assinadas por Elizabeth II em junho, levando em consideração sua posição de Rainha de São Vicente e Granadinas. Na primeira carta, ela notifica o governo sobre uma mudança no representante do país caribenho com sede em Caracas, enquanto na segunda ela solicita que Nicolás Maduro credencie um novo.

Em outra carta, a Rainha Elizabeth II escreveu em nome do governo de Santa Lúcia. Todas as três cartas são endereçadas a “Sua Excelência Nicolás Maduro Moros Presidente da República Bolivariana da Venezuela”.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido rebateu, afirmando que Elizabeth II não atua como chefe do Reino Unido quando fala como Rainha de outro Estado. A pasta também reiterou o reconhecimento de Guaidó como presidente da Venezuela.

 

Fonte: UOL
Foto: Manaure Quintero/Reuters