Representantes dos caminhoneiros receberam com reservas a anunciada redução do preço do diesel distribuído pela Petrobras, que custará R$ 0,20 a menos por litro. O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística, Carlos Alberto Litti Dahmer, considera o abatimento como “tímido” e diz que não resolverá o problema das altas sucessivas registradas nos últimos meses.

Wallace Landim, conhecido como Chorão, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Autônomos (Abrava), acha que “a redução pode ser positiva no combate à inflação se chegar na bomba”.

Chorão diz que encara o fato com cautela, já que 20% do diesel consumido no país é importado por terceiros. “Existe uma escassez de diesel no mundo, se o preço no Brasil não for lucrativo para os importadores eles simplesmente não vão importar”, argumentou, em nota, mostrando preocupação com uma possível escassez.

Os líderes da categoria concordam que, apesar da redução, o preço do diesel ainda está longe do ideal. “Todo o desconto é válido, mas enquanto o preço do diesel estiver acima do da gasolina o problema não estará resolvido”, argumenta Plinio Dias, presidente do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC). “Em toda a história isso nunca aconteceu”.

Presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, o deputado Nereu Crispim (PSD-RS) diz que conversou com muitos motoristas até chegar à conclusão de que essa redução de R$ 0,20 não resolve o problema. “Estão trabalhando no prejuízo e não conseguem repassar o festival de aumentos sucessivos protagonizados nos últimos meses”, explica Crispim.

“Bolsonaro causou o caos, botou a culpa nos fantoches que ele demitiu da presidência da Petrobras e agora tenta aparecer de salvador da pátria para comprar o voto dos caminhoneiros”, critica o deputado.

 

Por Chico Alves/UOL
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