O último final de semana foi uma gangorra de sentimentos no Paysandu. Se por um lado o clube comemorou a goleada por 6 a 1 diante do Imperatriz, que pode representar um recomeço na Série C do Brasileiro, por outro a entrevista coletiva do técnico Hélio dos Anjos, em tom de desabafo, deixou claro que o ambiente interno na Curuzu não está lá dos melhores. Para tentar apagar o incêndio e acalmar os ânimos, o presidente Ricardo Gluck Paul se pronunciou sobre os assuntos levantados pelo treinador.

Primeiro, Ricardo falou da demora na contratação de um zagueiro, a posição mais carente no Paysandu até aqui na competição nacional. Hélio dos Anjos cobrou a chegada de um atleta da posição, já que, com a lesão de Wesley Matos, o elenco só conta com Perema e Micael. O presidente fez mea-culpa sobre o caso. De acordo com ele, com o momento financeiro difícil vivido pelo Papão, a preferência era na chegada de reforços para outras posições e na confiança na polivalência de Caíque Oliveira, que deixou o clube na semana passada, e que a diretoria já está em negociação por um defensor.

– Ele (Hélio dos Anjos) tem razão na crítica. Assumo a responsabilidade. O Caíque era uma espécie de curinga, que atuava como zagueiro, volante e lateral-direito. O Hélio já havia solicitado a contratação de um zagueiro. Ocorre que a gente está em um momento crítico financeiro. Nunca escondi isso de ninguém. Como tinha o Caíque, que também atuava como zagueiro, a gente preferiu manter o foco na contratação de outras posições, como mais tarde veio o Juninho, que é meio-campo.

“Em um primeiro momento, a gente teve que improvisar. A responsabilidade é minha, eu que autorizo as despesas do clube, segurei na hora que tinha que segurar e ainda não encontramos a solução de imediato. Vai ser resolvido, nós temos negociações encaminhadas, conversas de nomes”.

O mandatário bicolor enfatizou que qualquer decisão na escalação ou não de jogadores são de responsabilidade do técnico. Interpretações que, de acordo com Ricardo, são equivocadas, davam conta de que um dos desabafos de Hélio era referente à interferência da diretoria sobre quem entraria ou não em campo.

– Isso não existe, nunca existiu. Já ouvi a entrevista do Hélio por completo e não sei da onde se tirou essa conclusão. É um ponto que não está em discussão, ele não falou sobre isso. O Hélio tem total autonomia, sempre teve, para escalar, convocar, substituir jogador. Todas as contratações passam pelo crivo do treinador. Não existiu um atleta que chegou para se apresentar na Curuzu sem o aval da comissão técnica.

“Nunca existiu essa fofocada. Infelizmente, às vezes em que o Paysandu apresenta uma crise, os caras inventam uma situação nesse sentido. Foi assim com o Brigatti, o Condé e agora com o Hélio. Quem conhece o histórico desses treinadores chega a soar como piada imaginar que se vai, em algum momento, aceitar a interferência de quem seja”.

Em determinado momento da entrevista do final de semana, Hélio dos Anjos contou que a presença do atacante Nicolas contra o Imperatriz só aconteceu por uma decisão do jogador. Segundo o treinador, “Até quatro e pouco da tarde queriam tirar o Nicolas de tudo quanto foi jeito do jogo”, em uma situação que envolvia o departamento médico, já que o artilheiro havia se lesionado no embate passado, diante do Jacuipense. Ricardo preferiu contemporizar a situação, enfatizando o apoio à comissão técnica e ao DM Alviceleste.

– Vou dizer o que digo pra eles dentro do Paysandu: sem atrito nada anda pra frente. Essa relação de atleta pode jogar, não pode, escala, não escala, sugere, faz a transição, não faz, é um assunto que comissão técnica e departamento médico vão se entender. Um defende um lado, um defende o outro, um vai acertar, errar, faz parte do futebol. Reitero o meu total apoio à comissão técnica e ao departamento médico. Todos brigam pelo seu ponto de vista, mas todos têm o mesmo objetivo, que é ser campeão, vencer.

Indagado pela reportagem do ge Pará sobre as críticas de Hélio dos Anjos quanto ao clima pesado na Curuzu depois da derrota para o Jacuipense, onde ele cobrou, inclusive, um posicionamento sobre a sua permanência ou não no Papão, Ricardo afirmou que situações como essas são normais em momentos de dificuldades.

“O Paysandu é pressão constante. Todo mundo se sente pressionado e, naturalmente, quando se perde a pressão aumenta. Só isso. O futebol é assim”.

Fonte: G1
Foto: Claudio Pinheiro/O Liberal