No segundo episódio da série documental, Michael Jordan chamou Scottie Pippen de egoísta por ele não ter realizado a cirurgia (do tendão rompido) no tornozelo durante as férias e perdido o início da temporada 1997/98. Uma tentativa de forçar a direção a aumentar o seu salário. Surgindo assim os relatos de que Pippen teria ficado descontente com a participação na obra. Mas, segundo a “Associated Press”, ele esclareceu que não ficou chateado.

– Por que eu ficaria ofendido por algo que aconteceu 30 anos atrás? Eu não fiquei chateado com isso. Não me incomodou em nada. (O documentário) foi uma oportunidade para a nossa geração mais jovem que não viu ou não sabia nada sobre basquete nos anos 90. Seremos amigos para sempre – contou Pippen, que disse ainda que já conversou com Jordan depois do lançamento da série.

Michael Jordan e Scottie Pippen no Chicago Bulls — Foto: Divulgação/Chicago Bulls

Apesar de ter chamado o colega de “egoísta” por causa daquele episódio do início da temporada de 1997/98, Michael o elogiou logo em seguida, como fez em todo o documentário.

– Nunca mais encontrei outro sistema defensivo nem outro parceiro no basquete como Scottie Pippen. (Ele me ajudou muito no meu jeito de encarar o jogo, no meu jeito de jogar.) Era um prazer jogar com ele.) Falam de Michael Jordan, deveriam falar de Scottie Pippen. Quando dizem que ganhei todas aquelas taças, não ganhei sem ele. Foi meu melhor colega de time – exalta Michael.

Neste episódio, em especial, acontece uma volta à infância de Scottie. O passeio diz muito sobre o porquê de ele ter aceitado um salário abaixo do que merecia, o 122° da liga. Vindo de uma família de 12 filhos, com 11 ou 12 anos, ele viu o pai ter um AVC e tornar-se a segunda pessoa da casa na cadeiras de rodas. Um dos irmãos sofreu um acidente durante a aula de educação física 6 anos antes.

– Achava que não podia apostar em mim. Me machucar e não conseguir sustentar. Não podia deixar minha família na mão – disse Scottie.

Michael Jordan e Scottie Pippen formaram uma dupla histórica no Bulls — Foto: Kent Smith/NBAE via Getty Images

Scottie Pippen pode comentar todas as situações polêmicas, como a recusa em participar do jogo 3 das semifinais da Conferência Leste de 1994 nos segundos finais. Com a primeira aposentadoria de Michael Jordan, o protagonismo era dele. Porém, o técnico Phil Jackson escolheu o então calouro Toni Kukoc, com quem não só Pippen, mas também Michael tinham uma questão, para a conclusão da jogada decisiva. Scottie disse que não participaria e permaneceu no banco.

Preocupado com o amigo, Michael ligou para o Phil Jackson. Ele tinha medo de Scottie não conseguir lidar com o fantasma que aquele episódio se tornaria. A série, inclusive, mostra que a rivalidade com o croata começou quando o então gerente geral Krause se derramava em elogios ao jogador, sonhando em contratá-lo, mas parecia não valorizar os grandes nomes que tinha no time. Em 1992, a dupla do “Dream Team” anulou Kukoc.

No jogo 6 da final de 98 contra o Utah Jazz, Scottie lesionou as costas logo no início da partida. Com fortes dores, ia e voltava do vestiário na esperança de diminuí-la e conseguir jogar mais um pouco. Michael pediu para que ele fizesse o que pudesse, mas permanecesse em quadra e Scottie não desistiu. A última dança terminou com final feliz: o segundo tricampeonato de Chicago Bulls.

Scottie Pippen venceu seis campeonatos da NBA com o Bulls, foi o All-Star sete vezes e conquistou duas medalhas de ouro olímpicas.

Fonte: G1
Foto: Getty Images